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muros com estilo
Segurança aliada à beleza
Os muros são necessários, mas não precisam ficar só no concreto. Confira soluções diferenciadas para garantir um charme a mais às fachadas

Texto: Juliana Farano


O passo inicial para se obter uma fachada atraente é alinhar o fechamento dela ao restante do projeto. “Os muros devem ser bonitos e complementares à arquitetura da casa, formando um conjunto harmônico, que seja o reflexo da necessidade e do modo de vida do morador”, afirma o arquiteto Aquiles Nícolas Kílaris. Depois é preciso levar em conta o local onde a residência está localizada. Em um condomínio fechado, por exemplo, é possível trabalhar com um fechamento menor, que mostre mais a fachada. Já em casas convencionais em grandes centros urbanos, a questão da segurança pede uma vedação total. E para que o projeto não seja empobrecido, atenção aos muros!

Revestimentos

Eles são fatores de peso nessa hora. Desde que se leve em conta a manutenção e a segurança, vale qualquer tipo de material: pastilhas, tijolos, madeira, entre outros. “O importante é harmonizar com os materiais usados no projeto principal da casa e da fachada. Os muros de concreto podem receber frisos no reboco, molduras, painéis de textura ou revestimentos diferenciados, como pedra canjiquinha, por exemplo”, sugere Nícolas. Nesse ponto, a criatividade e o bom gosto dos profissionais irão falar mais alto. “Uma combinação de pastilhas e tijolinho aparente, por exemplo, pode ser genial ou desastrosa, dependendo da composição, do design e de como estes materiais forem utilizados”, exemplifica a arquiteta Sibila Balan.

Outra solução que pode incrementar é a utilização de elementos de paisagismo. “Eu costumo recomendar o uso de plantas que criem uma verticalidade, como as palmeiras, por exemplo, que trazem beleza e leveza sem encobrir as linhas arquitetônicas”, diz a engenheira agrônoma e paisagista Rosana Negreiros.

Foto: Divulgação

Criatividade em alta

O muro projetado pela arquiteta Maristela Krummenauer uniu o gosto do cliente pelo barulho de água à criatividade e o resultado foi uma estrutura que é mais do que simplesmente um divisor de limites. “Minha idéia foi fazer algo diferenciado, não queria cair no básico”, afirma. Dessa forma, a arquiteta utilizou tábuas de madeira ipê para revestir o muro de concreto já existente e também para criar uma pequena fonte. O equipamento funciona com um motor de retorno, como de uma fonte comum, que pode ser acionado por um controle localizado dentro da residência.


Foto: Divulgação

Iluminação que destaca

O direcionamento geral do projeto arquitetônico de Fernando Consoni e Octavio Zillo Bosi foi dar um ar contemporâneo ao imóvel, que por ser uma casa de campo, tinha tudo para ser rústico. “Nós queríamos fugir do convencional”, diz Consoni. Um recurso simples e de muito valor usado nos muros foi a criação de frisos na alvenaria. Na parte sulcada foi aplicada textura em rolo baixo. O paisagismo e a iluminação direcionada e pontual destacam ainda mais o muro. Sobre as palmeiras foram usadas luminárias com luz direcionada e no piso, espetos com lâmpadas PAR 38. Sobre o portão da garagem estão embutidas dicróicas de 50 W. A iluminação ainda garante segurança: “Todo o sistema é provido de sensores de presença”, explica Consoni. Além disso, câmeras de vigilância ficam embutidas nas lajes.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Linhas sinuosas

Para este projeto, a arquiteta paisagista Pedrinha Parisi adotou a união da alvenaria com a madeira. “Intercalamos trechos de alvenaria revestidos com textura da Terracor com pilares de madeira maçaranduba aparelhada de 0,20 x 0,20 m de bitola encaixados na diagonal sem espaçamento”, conta.

O movimento do muro em curvas acrescenta à calçada dinamismo e o jardim acompanha a proposta. “Com esta situação minimizamos visualmente a extensão de mais de 15 m de fechamento”, justifica.


Foto: Divulgação

Mais cor

Para dar mais tonalidades e graça ao muro, Pedrinha Parisi fez uma composição interessante de alvenaria com faixas de madeira que parecem estar deslocadas. A altura do muro é de 1,80 m, mas a segurança é reforçada pelo madeiramento de cima que chega a 2,50 m. “O acabamento com pedra canjiquinha compõe com retângulos coloridos numa referência à terra, água e mata”, explica. Na parte interna, as paredes foram pintadas com caiação terracota e a vegetação, tanto interna quanto externa, vaza pelos vãos, interagindo.

Um toque de verde

A união entre o paisagismo e o design garantiu o sucesso da fachada da casa no interior de São Paulo. Utilizando grafiato, pintura lisa e pedra filetada, a arquiteta Sibila Balan projetou um muro com altura que varia entre 2,50 m e 3,50 m, e que segue as linhas e os revestimentos aplicados na fachada. Para dar um toque especial aos muros, a paisagista Rosana Negreiros acrescentou floreiras que fazem limite com o topo do muro na parte superior da residência. “Elas proporcionaram linhas sinuosas que deram movimento à fachada”, diz Balan. De acordo com as profissionais, para garantir a segurança dos moradores foram instaladas câmeras, alarmes e videoporteiros. “No paisagismo procurei utilizar espécies que não formassem maciços muito densos para aumentar a segurança”, acrescenta Negreiros.

Foto: Azael Bilt


Foto: Azael Bilt

Concreto e metal

A fachada da casa no interior de São Paulo, deu o tom para a construção do muro. O projeto do arquiteto Aquiles Nícolas Kílaris procurou unir o fator estético à segurança e, com 2,50 m de altura, o muro segue o conceito arquitetônico do restante da residência, com desenhos curvos. “Linhas côncavas e convexas projetadas na fachada se repetem no muro de maneira invertida”, explica o profissional. O muro de alvenaria foi construído com estrutura de concreto, recebeu massa fina de acabamento e, posteriormente, textura acrílica e pintura. “O cliente não queria que a frente fosse completamente fechada, por isso incluímos gradil com tela vazada para o jardim”, completa. Para complementar a segurança, foi instalada uma cerca elétrica.

Muro vivo

Foto: Divulgação

O arquiteto responsável pelo projeto da casa localizada no Jardim Europa, em São Paulo, buscava algo para a fachada que fosse diferente e especial. Depois de pesquisar, optou por um muro com um jardim vertical, executado por Gica Mesiara, da Quadro Vivo.

A empresa possui a patente do produto, que funciona por meio de um sistema computadorizado de regas, garantindo assim a saúde e a beleza das plantas. A técnica permite a utilização de diversas espécies diferentes. Neste caso, foram utilizadas heras, peixinhos, capim-do-texas, lambaris, entre outras. “Nós analisamos o estilo da casa e o microclima do local para definir as espécies adequadas”, explica Mesiara. De acordo com a profissional, a natureza vem em primeiro lugar. “Não dá para adaptar as plantas ao ambiente, deve- se escolher as que combinam com o local”, afirma.


Foto: Pedro Abude

Barreira de eucaliptos

Como a casa fica em um condomínio, o fechamento pôde ser menos incisivo. A arquiteta Érika Ruggiero, da Ecovalle, empresa especializada em projetos com eucalipto, trabalhou seguindo a mesma linha da estrutura de madeira feita para a casa e criou um muro de pilares de eucalipto com aproximadamente 1,70 m de altura. “A solução é diferenciada e acompanha as características do restante do projeto”, afirma. De acordo com Érika, os pilares foram dispostos de modo que não fechassem totalmente o terreno, mas que também mantivessem a privacidade dos proprietários. “Dependendo do caso e do gosto do cliente, podemos executá-los mais unidos ou com um maior espaço entre eles”, explica.

 

Solução eficiente

Além da proteção, o muro desta residência ainda tem a função de contenção do terreno com desnível de 6 m. Depois de muitas pesquisas, o proprietário optou pelo sistema Terrae, que consiste em muros construídos por meio de montagem de blocos pré-fabricados com encaixe a seco. “A solução atendeu às necessidades do cliente com bom custo-benefício”, afirma Dartagnan Domingues Durães, engenheiro da empresa Bimig, responsável pela implantação da técnica. Os blocos se destacam pela possibilidade de unir arquitetura e paisagismo em um mesmo projeto, porque compõem espaços como floreiras para o plantio de vegetação. Para dar o charme a mais à fachada, foram inseridas espécies de pequeno porte.Foto: Divulgação