Versátil! Esse é o perfil de Carole Crema, chef e proprietária da doceria La Vie en Douce, em São Paulo, capital. Além de criar famosos doces de festa, Carole acumula as funções de chef do restaurante Wraps e consultora da rede de churrascarias Montana. Ex-aluna de cursos na Thames Valley University, em Londres, e do Instituto Per La Cultura Alimentari, em Milão, hoje ela dá aulas na Escola Wilma Kövesi de Cozinha, onde também é consultora. Ela cultivou sua experiência em cozinha rápida contemporânea em grandes restaurantes e redes de alimentação, até se lançar sozinha, assumindo integralmente a La Vie, negócio fundado em 2003 com uma ex-sócia. "Durante quatro anos trabalhei como professora, isso me deu bagagem para abrir um negócio e para dar consultoria", diz.
Hoje, após reformular o menu da doceria com novos conceitos e o resgate de sabores do passado, Carole Crema celebra seu bom momento e divide com a Festaviva esse turbilhão de novidades.
Você é uma profissional que cuida desde a criação de doces até o cardápio de lanches estilizados, além de ser professora e consultora. Como mantém o foco para que cada um desses segmentos, bastante diversos, funcionem?
Antes de tudo é preciso ter profissionalismo. Trabalho no ramo há 12 anos e fui aprendendo a dividir e organizar meu tempo. Atualmente, trabalho orquestrando meus negócios. Me organizo para dividir e dedicar 100% para cada segmento.
Como sua experiência fora do País, em Londres e em Milão, ajudou a compor seu variado perfil profissional?
Aprendi muita coisa, principalmente que a cozinha é algo universal e quem entende pode trabalhar em qualquer lugar do mundo. Comecei minha carreira em Londres, onde aprendi a base e iniciei no mundo da gastronomia. De volta ao Brasil, resolvi consolidar meu conhecimento estudando, trabalhando e estagiando para aproveitar tudo o que tinha aprendido fora. Em Milão tirei todas as dúvidas e me aprofundei nos estudos, pois queria aprender mais. Lá fiz cursos como confeitaria clássica e de pizza.

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Em 2007 foi lançado o livro "400g", sobre técnicas de cozinha do qual você é co-autora. Qual é a importância da obra para você, já que é considerada a primeira do gênero no País?
Durante todos os anos que me dediquei ao trabalho com escolas, compilei uma grande quantidade de material. O livro é a junção de todo esse ofício. Uma parceria entre quatro autores, três chefs e a Betty Kövesi, proprietária da Escola Wilma Kövesi de Cozinha. Considero o "400g" a maior realização profissional que tive na vida.
Nesta nova fase da La Vie en Douce, foi adotada uma revisão no cardápio. Quais as principais mudanças?
A doceria tirou de cena os conhecidos doces para comer de colher e trouxe como novas referências quitutes de antigamente. A linha vintage tem olhode- sogra, papo-de-anjo, bom-bocado, maria-mole, bola de rum e calisson. O brigadeiro de colher foi inventado pela La Vie e aderido pelo Brasil inteiro. Depois de virar uma febre, as pessoas começaram a sentir falta dos tradicionais doces enrolados, já que ficou cada vez mais difícil de encontrá-los, por isso resolvi resgatá-los. Parei de produzir o doce de colher por que virou uma coisa comum. Para substituí-lo, desenvolvi um festival de brigadeiros enrolados que conta com oito sabores, entre eles: Nescau, Nutella, Ovomaltine, Uva e Amargo. Recuperei também receitas de compotas, balas de café e de coco e bolo gelado.
É possível deixar os doces de antigamente com cara contemporânea?
O tradicional tem que ser tradicional. Procuro mexer o mínimo possível na receita original. No caso dos docinhos vintage, procurei produzir como eles realmente são ao invés de criar em cima da receita.
"Em festas é melhor não arriscar muito. Como são muitos convidados, aposto sempre nos docinhos tradicionais" |
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