"Uma festa tem prazo e hora certa para acontecer.
O processo é dinâmico, com mais adrenalina
e desafios de criatividade" |
 |
Uma advogada com conhecimento no mercado financeiro e em multinacionais. Com esta descrição, pouquíssimas pessoas se arriscariam a dizer que se trata de Renata Chapchap, uma das mais importantes decoradoras e cenógrafas de eventos atualmente. Mas, foi exatamente assim que ela começou sua vida profissional antes da guinada: os projetos de decoração, sua paixão desde a infância! Formada em Direito, e sem nunca ter exercido a profissão, Renata passou por vários segmentos até encontrar espaço no mercado que hoje lhe dá projeção nacional. "Sempre tive o coração voltado às pranchetas. Trabalhava de dia em outras áreas, mas à noite cursava a Escola Panamericana de Artes. Quando me casei, em 1995, achei que era hora de fazer o que realmente gostava. Abandonei as máquinas de calcular e fui trabalhar com o decorador que fez meu casamento". Desde então, Chapchap não parou mais, se aprimorou e comemora por ser requisitada para traduzir os desejos - especialmente de adolescentes e noivos - em inconfundíveis festas (veja uma delas nesta edição na pág. 136). Confira a trajetória de sucesso que Renata contou à Festaviva! |
 |
Sua carreira de decoradora começou voltada a interiores. Como aconteceu a passagem para o mundo das festas?
Quando comecei a trabalhar com o decorador do meu casamento, a idéia era me especializar em decoração de interiores. Um ano e meio depois, iniciei carreira solo. Decorar festas foi uma decorrência natural deste aprendizado. Uma amiga ia se casar e pediu "socorro". Topei o desafio: assumi o projeto e a execução. O resultado agradou e a matéria foi publicada em uma revista especializada. Começava aí, de fato, a minha carreira no mundo dos eventos.
Os projetos de decoração de festas são parecidos com os de interiores?
São serviços e estruturas de atendimento muito diferentes. Uma festa tem prazo e hora certa para acontecer. O cliente precisa ser atendido com atenção e eficiência, tempo certo para que todos os detalhes estejam perfeitamente alinhados no prazo. O processo é dinâmico, com mais adrenalina e desafios de criatividade. E... tudo acaba em festa!
De onde vem a sua bagagem?
O maior aprendizado veio com a prática. Esta é uma área em que prevalece muito gosto, sensibilidade, conhecimento e intuição. Grande parte do que sei, veio de viagens ao exterior e pelo Brasil, além de um grande senso de observação de detalhes. Aprendi bastante com meus fornecedores, todos são craques em suas áreas.
A experiência de ter morado no exterior a ajudou a depurar seus conceitos?
Sou neta de avô inglês e avó suíça, portanto, aprendi muito cedo a máxima do "menos é mais". Além de morar na Inglaterra por um tempo, conheci alguns países europeus. Aproveitei a oportunidade para estudar seus valores e comportamento, senso estético e conceitos de elegância. Isso ajuda a evitar "excessos tupiniquins!".
Quais são as principais marcas de seus projetos?
Tenho uma atenção especial com a cenografia como um todo: paredes, cortinas, piso, mobiliário, iluminação e flores. Gosto do impacto que o cenário caprichado pode criar. Mais do que a grandiosidade, acho que uma das características marcantes do meu trabalho são a atmosfera e o clima obtidos com união de muitos elementos.
Quais são as principais mudanças que vê no segmento desde que iniciou sua carreira?
O mercado de festas cresceu muito e se profissionalizou. Há dez anos havia poucos profissionais da área. Era muito comum o florista fazer o papel de decorador. Hoje, o mercado oferece mão-de-obra qualificada para todo tipo de gosto e bolso. Surgiram muitas empresas especializadas em locação de mobiliário para festas, iluminadores que migraram do teatro para eventos sociais e ótimos floristas. Casas importantes foram construídas para abrigar grandes produções.
Você tem novos projetos profissionais?
Minha maior frustração é não ter feito faculdade de Arquitetura. Isso não foi obstáculo em minha carreira, mas seria uma grande realização. Enquanto isso não acontece, estou me preparando para fazer um curso de cenografia e iluminação na Juilliard School of Arts em Nova Iorque.
Quais os tipos de festas que mais faz?
Cada cliente tem sua história, e deseja celebrá-la à sua maneira. Procuro desenvolver projetos sob medida conferindo a tão desejada exclusividade. Hoje, atendo em maior número os casamentos e as festas de 15 anos, mas tenho feito muitos aniversários e eventos temáticos também.
Existe um tipo de decoração que esteja em alta no momento?
Costumo não seguir tendências. Isso generaliza um bom projeto de cenografia, e as festas ficam todas com a mesma cara. Mas, é claro que de tempos em tempos surgem elementos decorativos mais usados como arranjos em vidros, ou pendurados, mesas quadradas, sem toalhas ou comunitárias, lounges, etc. Uma tendência que voltou com força foi a de que todos os convidados tenham lugar para sentar. O anfitrião não quer que seus convidados jantem de pé e saiam correndo logo após o evento!
Qual é o valor mínimo que se gasta em um evento?
Depende do tamanho da produção e da quantidade de pessoas. Para um casamento de 400 convidados as produções vão de aproximadamente 60 a 80 mil reais. Este valor varia conforme o projeto escolhido. Para uma decoração mais enxuta, um local já decorado. Assim, evita-se o custo de locação de mobiliário.