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Mais do que uma confeiteira, Isabella Suplicy é uma verdadeira escultora de bolos e doces. Em seu ateliê, em São Paulo, a renomada cake designer recebe dezenas de clientes, diariamente, entre eles, as apresentadoras Luciana Gimenez e Hebe Camargo. A casa azul com álbuns coloridos nas estantes lembra uma casinha de boneca dos tempos antigos. Bastante detalhista, como não poderia deixar de ser, Isabella proporciona momentos de sonhos, desde o momento em que a clientela pisa pela primeira vez em seu "escritório". Escolher o bolo, as forminhas e os recheios é uma tarefa super prazerosa, já que as noivas ou aniversariantes podem degustar as delícias à vontade. Do cantinho dos sonhos até chegar à festa, o processo é longo. A artista - se assim permite ser chamada - passa dias dedicada a um só bolo. Tendo a gastronomia como vocação, Isabella interrompeu o curso de Direito há 10 anos, e foi para Nova York estudar na Peter Kumps New York Cooking School e estagiar nos restaurantes Laurent e Roanne. De volta ao Brasil, descobriu que a pâtisserie era sua área predileta. Atualmente, Isabella adoça a vida das pessoas com belas e bem-humoradas criações. Sinônimo de requinte nos eventos mais badalados ela nos conta um pouquinho de sua história e sobre seu método de trabalho e criação. |
" Apesar de ter começado a cozinhar na garagem da casa de meus pais, não atribuo o meu talento a uma característica genética. " |
Você acredita que o seu talento vem de família?
Apesar de ter começado a cozinhar na garagem da casa de meus pais, não atribuo o meu talento a uma característica genética. Muito pelo contrário, acho que ele é fruto de muito esforço e, principalmente, dos cursos que tenho feito pelo mundo afora. É muito bom poder dedicar a minha vida a uma atividade prazerosa.
Como funciona o seu processo criativo?
A maioria dele é instintivo. Estou sempre em busca de novidades, costumo ler muitos livros e revistas, isso ajuda na hora de receber uma nova cliente. Quando ela chega ao meu ateliê, converso para entender a personalidade e a proposta da festa, a partir daí sugiro o que acho melhor. Muitas coisas também vêm do meu gosto em particular, cultivo bastante o sabor da infância e das coisas lúdicas, talvez, por isso, minhas criações sejam alegres e bastante trabalhadas.
Qual a rotina do seu ateliê e de seus funcionários?
Montei uma cozinha industrial. Aqui tenho tudo o que uma cake designer precisa para desenvolver o seu trabalho. Além de instrumentos modernos e produtos de primeira, também capacito todos os funcionários. Eles aprendem as receitas e o modo de execução comigo, só depois passam a trabalhar sozinho.
Com que frequência você busca referências no exterior para melhorar suas criações?
Todos os lugares para onde viajo me inspiram muito. Até uma cadeira é capaz de me fazer ter ideias. Desde o início de minha carreira faço cursos nos Estados Unidos e na Inglaterra.
Qual o bolo mais inusitado que já fez?
Todos eles são um grande desafio. Recordo-me de um que era em formato de barco. O marido de uma amiga comprou um barco e pediu para que fizesse um bolo exatamente igual. Preocupei-me com cada detalhe, inclusive com o piso e os ambientes da embarcação. Para festas infantis preparei personagens de filme, como o Peter Pan com uma caravela sobre o mar. Também modelei os principais personagens deste clássico infantil ao lado de um baú com moedas de ouro.
De quanto tempo despende para criar um bolo?
Costumo levar vários dias, principalmente quando há rosas. Elas precisam de uma semana só para secar (referindo-se aos delicados adornos em formato de flor).
É verdade que você costumava garimpar matérias primas na rua 25 de Março? O que compra por lá?
Exatamente, lá existem materiais de todas as cores e formatos. Não tem um lugar melhor para comprar fitas, sianinhas, flores e grilos, usados principalmente para decorar cestas e docinhos. Quando não tenho tempo de me deslocar até o centro da cidade, costumo ligar para as minhas amigas vendedoras. Elas separam tudo e depois eu só mando retirar, é super prático.
Em 2002, você lançou o livro Arte em Açúcar. Quais os assuntos abordados nesta obra?
Primeiro, a minha trajetória como profissional e os meus princípios dentro do ambiente de trabalho. Esse ponto foi ótimo para que os clientes soubessem quem realmente sou. Depois desta apresentação, criei capítulos com bolos para batizados, chá-de-bebê, aniversários, bodas, minibolos e até um com os acessórios básicos. Em todas estas partes, dei dicas e fiz um passo a passo das receitas, além de uma série de informações úteis na cozinha. Para terminar, há depoimentos dos meus clientes famosos, falando sobre a alegria que proporcionei em seus eventos.
O sucesso foi tamanho que a obra esgotou nas livrarias. Pretende escrever outra em breve?
Planos eu sempre faço. É uma tarefa bastante recompensadora, que demanda tempo, o Arte em Açúcar demorou mais de dois anos para sair do forno. Neste segundo, pretendo seguir o mesmo estilo, mas com diferentes tipos de bolos decorados.
Quem comprou o livro conseguiu fazer os bolos em casa ou serviu apenas de inspiração?
Não criei uma obra técnica, só no estilo passo a passo. Tenho certeza que se uma profissional da área observar a obra, ela conseguirá fazer. Mas a ideia é servir de inspiração e referência.